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IA nas eleições, desinformação e violência política de gênero: seminário debate desafios da inteligência artificial para a democracia brasileira
No dia 25 de maio, a Data Privacy Brasil e o Aláfia Lab realizaram o seminário “IA nas eleições: impactos na desinformação e na violência política de gênero”, como atividade paralela à programação do 16º Fórum da Internet no Brasil (FIB), em Belém/PA. O encontro reuniu mais de 50 pessoas, incluindo pesquisadores, estudantes e representantes da sociedade civil, para discutir como a inteligência artificial (“IA”) vem transformando a comunicação política e produzindo novos desafios para a integridade eleitoral, os direitos humanos e a democracia brasileira.
À medida que o Brasil se aproxima das eleições de 2026, cresce a presença de conteúdos produzidos por IA em campanhas políticas, redes sociais e estratégias de comunicação de atores públicos. Ao mesmo tempo, os debates regulatórios sobre inteligência artificial e integridade informacional seguem em desenvolvimento, enquanto novas formas de desinformação, manipulação e violência digital começam a se consolidar no ambiente eleitoral.
O seminário contou com a participação de Rayza Sarmento (UFPA), Rafaela Ferreira (IRIS), Luana Maria (Pajubá Tech) e Rodrigo Carreiro (Aláfia Lab), com moderação de Eduardo Mendonça, pesquisador da Data Privacy Brasil e do Observatório IA nas Eleições. A partir de diferentes perspectivas disciplinares, os participantes discutiram os impactos da IA generativa sobre a circulação de informações políticas, a produção de conteúdo sintético e os riscos associados à ampliação de desigualdades já existentes nos ambientes digitais.
Entre os temas abordados esteve o crescimento do uso de ferramentas generativas para a produção de conteúdos políticos. Os debates destacaram que os desafios atuais não se limitam aos chamados deepfakes, mas incluem também novas formas de automação da comunicação política, criação de influenciadores sintéticos, personalização de mensagens e produção de conteúdos em larga escala. Essas transformações levantam questionamentos importantes sobre transparência, responsabilização e a capacidade dos eleitores de identificar conteúdos gerados artificialmente.
Também foram discutidos os impactos da inteligência artificial sobre grupos historicamente vulnerabilizados. As participantes destacaram como tecnologias generativas podem ser utilizadas para amplificar práticas de violência política de gênero, racismo e assédio digital, reproduzindo desigualdades estruturais já presentes na esfera pública. Casos envolvendo manipulação de imagens, produção de conteúdo sexualizado não consensual e campanhas coordenadas de desinformação demonstram que os impactos da IA não são distribuídos de forma uniforme e exigem respostas regulatórias e institucionais sensíveis às diferentes formas de vulnerabilidade.
As discussões reforçaram a importância de ampliar a produção de conhecimento sobre inteligência artificial e democracia, especialmente em um contexto de rápida adoção dessas ferramentas por campanhas, plataformas e usuários. Além de compreender os avanços tecnológicos em si, o desafio consiste em analisar seus impactos concretos sobre direitos fundamentais, participação política e integridade eleitoral.
A realização do seminário em uma universidade pública da Amazônia também reforçou a importância de construir debates sobre inteligência artificial a partir de diferentes contextos regionais. Ao promover um espaço de diálogo entre academia, sociedade civil e poder público, o evento nos permitiu escutar desafios específicos da Região Norte relacionados ao uso de IA na política, o que contribui para a construção de respostas regulatórias mais plurais e conectadas à realidade brasileira.
Para conhecer mais sobre o trabalho do nosso Observatório IA nas Eleições e acompanhar os casos monitorados pelo projeto, acesse a plataforma e as publicações produzidas pela iniciativa.
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