Entrevista | IA e datificação da segurança pública: construindo redes para proteção de direitos fundamentais | Assimetrias e Poder
Inteligência artificial na segurança pública avança entre promessas e controvérsias
Pedro Saliba, coordenador de Assimetrias e Poder da Data Privacy Brasil, concedeu entrevista à revista Com Ciência para reportagem publicada em 15 de junho de 2026 sobre o avanço de sistemas de inteligência artificial nas forças de segurança pública brasileiras.
Na reportagem, assinada pela jornalista Juliana Gottardi, Saliba problematiza a narrativa dominante que enquadra o uso de tecnologias de vigilância como uma questão de inovação:
“O uso das inteligências artificiais está geralmente vinculado ao debate de inovação tecnológica, mas há muitas questões envolvidas. Queremos que o Estado tenha essa capacidade de monitoramento massivo? Uma vez criada essa infraestrutura, ela pode ser utilizada de diferentes maneiras e por diferentes agentes ao longo do tempo”
O texto apresenta um panorama do uso de câmeras com reconhecimento facial em São Paulo, Bahia e Mato Grosso, e aborda o caso do sistema Córtex, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, suspenso em 2025 após auditorias identificarem falhas de segurança, baixa confiabilidade operacional e vazamento de dados. Saliba aponta que contratos, localização das câmeras e funcionamento dos sistemas costumam ser mantidos em sigilo sob o argumento de proteção da segurança pública, o que dificulta tanto a fiscalização quanto a contestação de decisões tomadas com apoio de algoritmos.
O pesquisador também chama atenção para a necessidade de que a população disponha de informação suficiente para identificar, questionar e reagir a práticas de vigilância de forma consciente. Para a Data Privacy Brasil, o tema integra a agenda de pesquisa sobre datificação da segurança pública, conduzida pela área de Assimetrias e Poder.
A reportagem completa está disponível no site da Com Ciência.
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