Plataformas e Mercados Digitais
Plataformização do vício
Objetivo: O objetivo do projeto é analisar o fenômeno de expansão da economia do vício por plataformas em novos mercados como previsões futuras (Polymarket/Kalshi), apostas esportivas, bets e jogos com caixas de recompensa e mecanismos de transferências de recursos no Brasil. Pretende-se lançar luz sobre a relação da plataformização do vício com violações de direitos digitais, endividamento das famílias e transgressão de um ecossistema informacional justo.
Duração: 2 anos
Situação: Em Andamento
Apoiador(es): Ford Foundation
Descrição
A plataformização do vício tem produzido danos sociais de grande porte. Estima-se que mais de 30 milhões de brasileiros sejam apostadores, com movimentações de cerca de 30 bilhões de reais por mês (O Joio e o Trigo, 2026). Mais de 40% dos apostadores estão endividados (Anbima, 2025; Procon-SP, 2026), e 35% relatam dívidas diretamente causadas pelas bets (PoderData, 2025). Esse fenômeno reduz gastos com alimentação, piora a qualidade de vida e induz a tomada de empréstimos, muitas vezes em condições abusivas. Além disso, afeta de forma desproporcional pessoas de baixa renda (Procon-SP, 2026) e populações mais jovens.
Por plataformização do vício, entendemos um fenômeno sistêmico de transformação de comportamentos repetitivos de risco, como a aposta, em sistemas contínuos, escaláveis e otimizados para maximizar engajamento, com produção estrutural de danos. Neste projeto, buscamos analisar os principais elementos dessa dinâmica (incluindo personalização algorítmica, loops contínuos de engajamento, feedback variável e monetização por recorrência) bem como examinar arquiteturas de informação potencialmente abusivas, que produzem reforço intermitente, ciclos acelerados de aposta (loop contínuo de odds) e datificação intensiva do comportamento.
O objetivo do projeto é ampliar a compreensão pública sobre essas estruturas e suas implicações, bem como evidenciar violações de direitos digitais — à luz do Código de Defesa do Consumidor, da Lei Geral de Proteção de Dados e do ECA Digital — que contribuem para a erosão de um ecossistema informacional justo no Brasil.