Entre 14 e 16 de abril, a Data Privacy Brasil esteve presente no Digital Rights and Inclusion Forum (DRIF), em Abidjan, Costa do Marfim. Em sua 13ª edição, o evento é uma das principais conferências sobre direitos digitais no continente africano. Organizado pela Paradigm Initiative (PIN) — que, junto da Data Privacy Brasil e do Aapti Institute, integra o comitê organizador da Global South Alliance — o DRIF representa um espaço central de articulação e debate sobre inclusão e direitos digitais.

Em 2026, sob o tema “construindo futuros digitais inclusivos e resilientes”, o evento ocorreu pela primeira vez num país predominantemente francófono e contou com mais de 100 painéis e 400 participantes presencialmente. Na sua quarta participação no evento, a Data participou de três painéis debatendo temas como governança de IA, autoritarismo, fraudes digitais e cooperação Sul-Sul junto a ativistas e pesquisadores parceiros. A Data também integrou a cerimônia de encerramento do evento.

O DRIF 2026 deu continuidade ao esforço de ampliar as discussões sobre direitos digitais no continente africano e destacou tensões estruturais que atravessam o Sul Global. Na cerimônia de abertura, parceiros da Paradigm Initiative conectaram o tema central do evento à escolha inédita da Costa do Marfim como sede, mirando a inclusão linguística. Também ressaltaram a resiliência de organizações da sociedade civil diante de um cenário de financiamento instável. Defenderam que debates locais e regionais, como o DRIF, precisam se articular com pautas globais.

A Data organizou, junto a parceiros da Global South Alliance, uma sessão dedicada especificamente a essa articulação local-global na governança da IA. Além disso, participamos de uma sessão sobre ameaças do autoritarismo digital à sociedade civil, abordando temas de pesquisas da Data, como o problema dos spywares; e outra sobre fraudes digitais e a resiliência no Sul Global, onde abordamos o tema a partir da intersecção entre Infraestruturas Públicas Digitais (IPDs) e governança de dados.

O DRIF tem sido um espaço estratégico para o fortalecimento de iniciativas da Global South Alliance, como a nossa Biblioteca Digital, que guarda os materiais produzidos pelas 26 organizações membros, além de materializar discussões conduzidas no âmbito dessa rede. Na discussão sobre cooperação Sul-Sul e IA, por exemplo, os painelistas puderam problematizar a ideia de soberania em IA, abordando lacunas infraestruturais e de governança que afetam seus países. A partir desse diagnóstico, o debate avançou para formatos de colaboração que poderiam contribuir para o desenvolvimento justo dessas tecnologias.

Identificar esses desafios e caminhos tem sido parte da atuação da Aliança, no sentido de contribuir coletivamente para moldar processos “globais”, como no caso das Cúpulas de IA (a mais recente, na Índia, teve grande participação dos membros), processos no âmbito do G20 e da ONU (como o Global Dialogue on AI Governance, previsto para julho). As iniciativas conjuntas dos membros têm sido focadas em garantir a participação de atores do Sul Global nesses espaços não apenas como ouvintes, mas como definidores de agendas.

No fechamento do DRIF, a Paradigm Initiative anunciou os lançamentos de duas iniciativas importantes: o relatório Londa – relatório anual sobre o estado dos direitos digitais no continente africano – e a plataforma DROL (Digital Rights On-Demand Learning) – que oferece cursos modulares gratuitos concebidos para promover inclusão e direitos digitais. Além disso, a PIN anunciou que a próxima edição vai ocorrer na Nigéria, sede original da organização, em comemoração aos seus 20 anos. 

Em termos de engajamento da Global South Alliance, alguns espaços merecem destaque: em Maio ocorre a RightsCon, em Lusaka, onde a Data participa de diversas atividades. Além disso, membros da Aliança seguem se mobilizando para o Global Dialogue on AI da ONU, em julho, construindo uma contribuição coletiva para o evento. 

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