Política Nacional de Proteção de Dados: os principais destaques da audiência pública
Educação, transparência, segurança pública e trabalho marcaram as falas da sociedade civil, academia e setor privado na audiência realizada em 12 de junho de 2026
A Política Nacional de Proteção de Dados Pessoais e Privacidade (PNPD) foi tema de audiência pública realizada em 12 de junho de 2026, no Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), em Brasília, em formato híbrido e com transmissão pelo YouTube. O encontro foi promovido pela Secretaria Nacional de Direitos Digitais (Sedigi) em articulação com o Conselho Nacional de Proteção de Dados Pessoais e da Privacidade (CNPD), reunindo representantes do poder público, da academia, do setor privado e da sociedade civil.
A abertura foi realizada pelo secretário nacional de Direitos Digitais, Victor Oliveira Fernandes (MJSP) e contou com a presença de Miriam Wimmer, diretora e vice-presidente da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD). Ao todo, foram registradas 22 inscrições de fala da sociedade civil, além das contribuições apresentadas pelos próprios coordenadores dos seis Grupos de Trabalho Temáticos (GTTs) do CNPD, responsáveis por subsidiar tecnicamente a elaboração da política ao longo do ciclo anterior.
A seguir, a equipe da Data Privacy Brasil condensou as contribuições a partir de eixos temáticos. Nesse sentido, condensamos alguns dos principais pontos, mas nem todas as pessoas foram citadas nominalmente. O debate na íntegra está disponível no YouTube.
Data Privacy Brasil
Bruno Bioni, coordenador do GT6 (Harmonização entre a LGPD e a Lei de Acesso à Informação), apresentou os fundamentos da contribuição da Data Privacy Brasil para estruturar a futura PNPD em torno de quatro perguntas: por quê, para quê, quem e como. Defendeu que o objetivo central da política deve ser proteger os titulares de dados, reconhecendo assimetrias de poder e informação mais agudas para grupos vulneráveis, e propôs a inclusão de um capítulo específico sobre cultura de proteção de dados, em articulação com o Ministério da Educação, além de um capítulo dedicado ao fomento de tecnologias protetivas de privacidade – incluindo a ideia de vincular privacidade por concepção a critérios de concessão de crédito público e de compras governamentais. Na dimensão do “quem”, propôs a criação de um Sistema Nacional de Privacidade e Proteção de Dados Pessoais, formado pela ANPD, pela Sedigi e pelo CNPD, acompanhado de um Fórum Nacional que integre iniciativas estaduais e municipais já existentes; e, na dimensão do “como”, defendeu a integração da PNPD com outras políticas transversais, sobretudo a de defesa do consumidor, sugerindo o uso do consumidor.gov e a atuação coordenada dos Procons para nacionalizar o enforcement da LGPD, além de parceria com o CETIC.br para produção de indicadores. Encerrou destacando o descompasso entre os oito anos de aprovação da LGPD e a ainda inexistente política nacional, defendendo que 2026 seja o ano de sua efetiva consolidação. Confira aqui nossa contribuição completa.
Educação em dados pessoais
O tema da educação foi um dos temas mais mencionados por diversas pessoas. Rodrigo Valadão, conselheiro do CNPD e membro do Grupo de Trabalho de Educação e Capacitação em Proteção de Dados, apresentou a promoção da cultura de dados como eixo transversal da futura política, distinguindo a adequação dos agentes de tratamento no setor público e no privado. Dentre as sugestões do Grupo de Trabalho, aponta-se a criação da Escola Nacional de Proteção de Dados, parceria com o Ministério da Educação e com a Ordem dos Advogados do Brasil, sugerindo a inclusão da temática no Exame de Ordem.
Duas contribuições da sociedade civil reforçaram esse eixo. Manoela Silva sugeriu ao GT1 a inclusão de escritórios de advocacia e de organizações da sociedade civil como multiplicadores qualificados da cultura de proteção de dados, e chamou atenção para a necessidade de cautela na estratégia de disseminação de conteúdo por influenciadores digitais, de modo a evitar que esse canal sirva à propagação de desinformação. Isabela Henriques, do Instituto Alana, destacou a inclusão da educação entre os princípios da LGPD como conquista relevante e associou o tema à proteção integral de crianças e adolescentes no ambiente digital, remetendo aos princípios do melhor interesse e da autonomia progressiva, e ao papel da ANPD na regulamentação e fiscalização do ECA Digital.
Cooperação institucional
O eixo de cooperação institucional reuniu contribuições convergentes sobre a necessidade de articulação entre entes federativos e setores. Myreilla Aloia Triumpho Pereira da Cruz destacou o ciclo de vida dos dados, coleta ao arquivamento eletrônico e cooperação federativa na articulação com políticas de IA, Governo Digital, e o compartilhamento de dados. Ana Paula Martins Bialer apontou a falta de uniformidade da prática de governança de dados, considerada fragmentada e tecnicamente limitada, sugerindo a criação de um Fórum Intergovernamental acompanhado de ferramentas de autoavaliação e monitoramento. Sâmya Mussari reforça esse diagnóstico ao apontar ao defender a complementação entre diferentes regulações sobre o tema, como LGPD, ECA Digital e Marco Civil da Internet.
Para Arthur Sabbat, é preciso uma modelagem ecossistêmica envolvendo órgãos como ANPD, Defensorias, Ministérios Públicos e órgãos estaduais e municipais, bem como diálogo com setor privado e terceiro setor. Luis Fernando Prado situou esse desafio na escala do Estado brasileiro, lembrando que o gov.br já não é apenas um portal, mas reúne mais de 170 milhões de contas, e defendeu que a política sirva para elevar a maturidade do poder público no tratamento de dados pessoais.
ECA Digital
Isabela Henriques, do Instituto Alana, destacou que a proteção integral de crianças e adolescentes no ambiente digital está entre os princípios incorporados pela LGPD, com base nos critérios do melhor interesse e da autonomia progressiva, e situou essa base normativa no artigo 14 da lei. A partir disso, ressaltou que a ANPD é hoje a agência responsável pela regulamentação e pela fiscalização do ECA Digital, e defendeu que a Política Nacional de Proteção de Dados Pessoais e Privacidade deve reconhecer e reforçar esse papel institucional na proteção de crianças e adolescentes.
Rachel Rachid, representando a Estratégia Latino-Americana de Inteligência Artificial, situou a elaboração da PNPD num momento sensível da trajetória regulatória brasileira, marcado por pressões econômicas e institucionais que tensionam garantias já reconhecidas nas relações digitais. Nesse contexto, apontou o alargamento da atuação da ANPD, como as disposições associadas ao ECA Digital, enquanto um movimento promissor para lidar com temas complexos dessa natureza.
Transparência pública e proteção de dados
Cristiano Pavini, da Transparência Brasil, centrou sua fala na garantia do direito de acesso à informação pública diante de negativas de acesso a documentos de interesse público, citando parecer da AGU segundo o qual o CPF não poderia ser coletado e publicizado. Defendeu que a política nacional de proteção de dados e privacidade continue a garantir o acesso a informações de interesse público, e apontou um padrão de supressão de informações em diferentes entes e níveis federativos, sobretudo nos subnacionais, com retrocessos tanto na transparência ativa quanto na passiva — informações antes disponibilizadas sendo retiradas do ar e novos obstáculos criados ao acesso pleno a essa documentação.
Edilaine dos Santos e Souza, da Open Knowledge Brasil, tratou da tensão entre a Lei de Acesso à Informação e a LGPD, defendendo que são leis complementares, não conflitantes, e criticando o uso da proteção de dados como justificativa para retroceder no acesso à informação pública. Citou dois exemplos concretos: a restrição aos microdados de educação do INEP, que paralisou pesquisas relevantes para políticas educacionais, e a remoção de CPFs de candidatos do site do TSE durante o período eleitoral sob argumento de privacidade, o que, segundo ela, prejudicou o controle social sobre financiamento e integridade do processo eleitoral. Bruno Schmitt Morassutti, da Fiquem Sabendo, endossou o trabalho do GT6 de Harmonização entre a Lei de Acesso à Informação e a LGPD e reforçou a preocupação de que a aplicação equivocada da LGPD prejudique tanto o acesso à informação quanto a própria legitimidade da lei de proteção de dados, citando o caso do Transferegov, em que documentos sobre relações contratuais entre administração pública e agentes privados foram retirados do ar e só restabelecidos após pressão da sociedade civil.
Segurança pública
Pedro Diogo Carvalho, coordenador do LAPIN, relembrou o caso do SmartSampa, em São Paulo, apontando taxas desproporcionalmente maiores de prisão de pessoas negras associadas ao uso do sistema. Defendeu que a população negra, mulheres, o grupo LGBTQIAPN+ e pessoas em situação de rua precisam estar representados no processo de construção de políticas de segurança pública que envolvam dados pessoais.
Fernanda Rodrigues, do IRIS-BH, defendeu um olhar interseccional que atravesse gênero, raça e região na elaboração da política, com reconhecimento explícito de garantias contra a criminalização de grupos vulneráveis. Defendeu a participação de sociedade civil e academia em ações de letramento da população, a previsão de mecanismos de monitoramento da ANPD e a construção coletiva da política em níveis municipal e estadual, além de apontar a exploração massiva de dados pessoais sensíveis por sistemas de inteligência artificial como um problema já em curso.
Júlia Maria Caldeira Gertrudes, do Idec, observou uma banalização do uso de reconhecimento facial em ambientes como estádios, condomínios e estabelecimentos comerciais, citando a tramitação do PL 3630/2025 — que propõe permitir a divulgação de imagens de pessoas flagradas cometendo crimes em estabelecimentos comerciais — como sinal da urgência do tema. Argumentou que a premissa da segurança frequentemente se confunde com vigilância constante e indiscriminada, e que o uso indiscriminado de dados biométricos contraria os princípios da necessidade e da finalidade previstos na LGPD, além de não respeitar a base legal do consentimento, que deve ser manifestação livre, informada e inequívoca do titular dos dados.
Fraudes digitais e ilícitos de dados
Com relação ao tema de fraudes digitais, que assombra a população brasileira, Maisa Lima de Almeida, da CNSeg, pontuou a necessidade de guias de boas práticas de proteção de dados pessoais e implementação de ações voltadas à prevenção e detecção para o combate à fraude. Situou o tema como especialmente sensível para o setor de seguros, mencionando a atuação conjunta da ANS e da SUSEP como reguladores setoriais ao lado da ANPD no tratamento dessas questões.
Relações de trabalho
Renan Cali abordou as questões relacionadas ao mundo do trabalho, com recorte voltado ao trabalho em plataformas digitais. Mencionou que o tema está em pauta simultânea em duas frentes institucionais: o Congresso Nacional, que tenta avançar em legislação específica sobre o trabalho em plataformas digitais, e o Supremo Tribunal Federal, que tem um tema de repercussão geral sobre a matéria a ser julgado nos próximos dias. Destacou também a aprovação, pela Organização Internacional do Trabalho, de convenção que regula o trabalho em plataformas digitais e que se aplica a todos os trabalhadores desse setor, independentemente de serem considerados empregados ou autônomos.
Luís Henrique do Nascimento Gonçalves discutiu como determinados softwares de uso profissional produzem dados sobre a atividade dos trabalhadores para medir produtividade, sem pleno conhecimento ou controle desses trabalhadores sobre esse processo, alimentando o aumento da automação, do controle e da intensidade do trabalho. Segundo ele, esse movimento acompanha a degradação de profissões e salários.
Próximos passos
O próximo mandato do Conselho Nacional de Proteção de Dados – atualmente em processo de seleção após as candidaturas – terá papel essencial na formulação da PNPD. Junto à ANPD e MJSP, espera-se a apresentação de um texto consolidado e uma futura consulta pública, momento no qual mais contribuições poderão ser apresentadas.
Veja também
-
LAI e LGPD: Linha do tempo inédita aponta os desafios entre transparência pública e proteção de dados
Criada pela Data Privacy Brasil e Fiquem Sabendo, o projeto tem apoio da Abraji, Open Knowledge Brasil, Transparência Internacional, Artigo 19 e Transparência Brasil
-
Vagas de Pesquisa no Time de Assimetrias e Poder [Inscrições Encerradas]
A equipe de Assimetrias e Poder tem duas vagas abertas, com inscrições disponíveis até o dia 26 de fevereiro. Saiba mais sobre cada uma delas e venha fazer parte do #TimeData!
-
Consulta Pública – Regulamento sobre o Uso Compartilhado de Dados Pessoais pelo Poder Público
A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) publicou no dia 28 de outubro de 2025 consulta pública sobre a minuta de Resolução referente ao futuro regulamento sobre compartilhamento de dados pelo setor público. A Data Privacy Brasil enviou a sua contribuição no dia 12 de dezembro de 2025, que pode ser acessada na íntegra aqui.
-
Data na COP: acompanhe nossa trajetória
Na semana de 10 de novembro de 2025, a Data Privacy Brasil esteve presente na COP30. A ida para a COP30 foi um processo que não se iniciou com viagem para Belém. Além da preparação prévia, o primeiro grande passo foi a execução do evento Entre o ambiental e o digital: rumo à COP30 que […]
-
Caso Córtex: o Combate ao Megazord da Vigilância
O sistema Córtex, regulamentado em 2021, é uma grande plataforma de vigilância criada pelo governo federal, capaz de unificar e cruzar informações de mais de 160 bases de dados, públicas e sigilosas, sobre pessoas, veículos e empresas. Seu propósito é definir alvos para cercamento eletrônico e monitoramento persistente. O acesso é capilarizado, alcançando Polícias Militares, Civis e até Guardas Civis Metropolitanas. Conforme detalhamos em nossa análise “Por que precisamos rever o uso do Córtex no Brasil?”, publicada em dezembro de 2024, a decisão de revisão do programa Córtex não surgiu como uma iniciativa espontânea, mas sim como uma reação a pressões feitas pela sociedade civil nos últimos quatro anos.
-
Data na COP30: estamos no principal evento global de discussão e negociações sobre mudanças climáticas
Desde 2022, a Data trabalha na interseção entre direitos digitais e direitos ambientais, com foco em proteção de dados, transparência pública e infraestruturas públicas digitais. Em 2025, integramos a delegação brasileira na COP30, realizada em Belém.
-
Diálogos COP30: Entrevista com Joara Marchezini
Na quinta e última entrevista da série especial “Diálogos COP30: direitos digitais e justiça climática”, conversamos com Joara Marchezini, assessora de projetos do Instituto Nupef, onde atua na intersecção entre direitos humanos e tecnologias da informação e comunicação.
Veja Também
-
LAI e LGPD: Linha do tempo inédita aponta os desafios entre transparência pública e proteção de dados
Criada pela Data Privacy Brasil e Fiquem Sabendo, o projeto tem apoio da Abraji, Open Knowledge Brasil, Transparência Internacional, Artigo 19 e Transparência Brasil
-
Consulta Pública – Regulamento sobre o Uso Compartilhado de Dados Pessoais pelo Poder Público
A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) publicou no dia 28 de outubro de 2025 consulta pública sobre a minuta de Resolução referente ao futuro regulamento sobre compartilhamento de dados pelo setor público. A Data Privacy Brasil enviou a sua contribuição no dia 12 de dezembro de 2025, que pode ser acessada na íntegra aqui.
-
Data na COP: acompanhe nossa trajetória
Na semana de 10 de novembro de 2025, a Data Privacy Brasil esteve presente na COP30. A ida para a COP30 foi um processo que não se iniciou com viagem para Belém. Além da preparação prévia, o primeiro grande passo foi a execução do evento Entre o ambiental e o digital: rumo à COP30 que […]
-
Caso Córtex: o Combate ao Megazord da Vigilância
O sistema Córtex, regulamentado em 2021, é uma grande plataforma de vigilância criada pelo governo federal, capaz de unificar e cruzar informações de mais de 160 bases de dados, públicas e sigilosas, sobre pessoas, veículos e empresas. Seu propósito é definir alvos para cercamento eletrônico e monitoramento persistente. O acesso é capilarizado, alcançando Polícias Militares, Civis e até Guardas Civis Metropolitanas. Conforme detalhamos em nossa análise “Por que precisamos rever o uso do Córtex no Brasil?”, publicada em dezembro de 2024, a decisão de revisão do programa Córtex não surgiu como uma iniciativa espontânea, mas sim como uma reação a pressões feitas pela sociedade civil nos últimos quatro anos.
-
Data na COP30: estamos no principal evento global de discussão e negociações sobre mudanças climáticas
Desde 2022, a Data trabalha na interseção entre direitos digitais e direitos ambientais, com foco em proteção de dados, transparência pública e infraestruturas públicas digitais. Em 2025, integramos a delegação brasileira na COP30, realizada em Belém.
-
Diálogos COP30: Entrevista com Joara Marchezini
Na quinta e última entrevista da série especial “Diálogos COP30: direitos digitais e justiça climática”, conversamos com Joara Marchezini, assessora de projetos do Instituto Nupef, onde atua na intersecção entre direitos humanos e tecnologias da informação e comunicação.
-
Proteção de dados e transparência pública em prol de políticas ambientais
Decisão da 9ª Vara Federal Ambiental e Agrária da Justiça Federal do Pará garante abertura de dados da Guia de Trânsito Animal no estado.
-
Diálogos COP30: Entrevista com Lennon Medeiros
Na sequência da nossa série especial “Diálogos COP30: direitos digitais e justiça climática”, lançamos hoje nossa quarta entrevista, onde conversamos com Lennon Medeiros, cofundador da Visão Coop, iniciativa brasileira que conecta comunidades e cientistas com tecnologias para construir inteligência coletiva.
-
Prefeitura do Rio exige a remoção de 400 câmeras da empresa Gabriel
Vigilância urbana, direitos digitais e urgência do debate no Brasil
-
Diálogos COP30: Entrevista com Luisa da Silva
Na terceira entrevista para a nossa série especial “Diálogos COP30: direitos digitais e justiça climática”, conversamos com Luisa da Silva, engenheira florestal, jovem ativista climática e defensora dos direitos digitais.
-
Diálogos COP30: entrevista com Antônio Laranjeira
Na segunda entrevista para a nossa série especial “Diálogos COP30: direitos digitais e justiça climática”, conversamos com Antônio Laranjeira, jornalista premiado por reportagens investigativas sobre temas como perdas e danos ambientais, ciência e cidadania.
-
Diálogos COP30: entrevista com Lori Regattieri
A Data Privacy Brasil lança a nova série de entrevistas “Diálogos COP30: direitos digitais e justiça climática”, com o objetivo de ouvir vozes diversas sobre a interface entre a agenda climática e os direitos digitais. O novo projeto surge em um ano único: a realização da primeira Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30) no Brasil.
-
Um primeiro passo na regulação do uso de tecnologias na segurança pública
No dia 24 de junho de 2025, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), publicou a Portaria nº 961/2025, que estabelece diretrizes para o uso de tecnologias da informação em atividades de investigação criminal e inteligência na segurança pública. A medida surge em um contexto de crescente preocupação com o uso indiscriminado de sistemas digitais pelas forças de segurança e representa um importante marco normativo, ainda que inicial, no fortalecimento de garantias constitucionais frente ao avanço tecnológico no setor.
-
Spywares e contra vigilância no Brasil
Data privacy Brasil participa da Cryptorave 2025 apresentando resultados do Malhas Digitais.
-
Pall Mall Process propõe novo marco internacional contra o uso de spywares
A Data Privacy Brasil, por meio do projeto Iniciativa de Defesa Digital, realizado em parceria com o InternetLab, participou dos diálogos internacionais sobre o Pall Mall Process e a ferramenta produzida pela Freedom House, apresentando uma série de propostas para que o Código de Práticas e outras ferramentas associadas ganhem força prática e sensibilidade social.
-
Meta vence NSO Group em tribunal dos EUA
Vitória histórica acende alerta global sobre espionagem digital e reforça urgência de ação da sociedade civil.
-
Data Privacy Brasil discute sobre o uso de spywares em nova edição da CryptoRave
Pelo segundo ano consecutivo, a Data participa com um painel na CryptoRave, que acontece em São Paulo anualmente. O evento acontece nos dias 16 e 17 de maio na Biblioteca Mário de Andrade.
-
Participe do Comitê Central de Governança de Dados de São Paulo
A Prefeitura de São Paulo está com inscrições abertas para a seleção de novos membros do Comitê Central de Governança de Dados. Este Comitê tem um papel fundamental na gestão e proteção dos dados públicos e pessoais na cidade, garantindo mais transparência e segurança nas políticas municipais.
-
Por que a transparência pública de certos dados pessoais é essencial para garantir a justiça ambiental?
Entre 2022 e 2024, foram desenvolvidas pesquisas no âmbito do projeto “Ambiente e Informação: contestando instrumentalização política da LGPD na regulação ambiental” que trata da intersecção entre direitos digitais e políticas públicas ambientais. Confira no texto como foi esse trabalho.
-
Data Privacy Brasil analisa como positiva decisão da ANPD de suspender os incentivos financeiros por coleta de íris
A Data Privacy Brasil analisa como positiva a decisão da Autoridade Nacional de Proteção de Dados Pessoais (ANPD) em suspender os incentivos financeiros por coleta de íris, que estava sendo realizado pela empresa Tools for Humanity (TFH), mediante despacho decisório nº 4/2025/FIS/CGF/ANPD, divulgada na última sexta-feira (24).
-
Por que precisamos rever o uso do Córtex no Brasil?
Em dezembro de 2024, foi anunciado que o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) irá rever a operação do programa Córtex. Essa é uma ótima notícia que instaura uma questão fundamental: o que há de errado com o Córtex e por que ele precisa, urgentemente, ser revisto do ponto de vista de sua governança de dados?
-
Infraestruturas Públicas Digitais e Bens Públicos Digitais para o Combate às Mudanças Climáticas: O Estudo de Caso do Brasil
A Data Privacy Brasil publicou um novo relatório sobre tecnologias digitais e mudanças climáticas. Financiada pela Digital Public Goods Alliance, a pesquisa explora como infraestruturas públicas digitais (IPDs) e bens públicos digitais (BPDs) ajudam a aprimorar políticas ambientais.
-
Fortalecendo a Sociedade Civil no Combate ao Spyware: o processo seletivo do Malhas Digitais
O Programa Malhas Digitais tem o orgulho de anunciar os três projetos selecionados na sua primeira rodada de financiamento. Cada um desses projetos foi escolhido após um rigoroso processo seletivo, trazendo contribuições inovadoras e essenciais para o campo da detecção e análise forense de spyware no Brasil. Confira o resultado no texto.
-
Câmeras corporais na segurança pública no Brasil: diagnóstico sobre o uso secundário de dados de forma justa
A Data Privacy Brasil, com apoio do Instituto Betty e Jacob Lafer, lança relatório inédito a respeito do tratamento de dados pessoais através das câmeras corporais por policiais militares no Brasil.
-
Evento – Câmeras Corporais na segurança pública no Brasil
A Data Privacy Brasil anuncia o evento online “Câmeras Corporais na segurança pública no Brasil”, para promover o lançamento do relatório inédito “Câmeras corporais na segurança pública no Brasil: diagnóstico sobre o uso secundário de dados de forma justa”. A conversa acontece na próxima terça-feira (12), às 16:30.
-
Lideranças comunitárias participam de oficina sobre direitos digitais em Salvador – BA
Promovida pela Data Privacy Brasil junto da Defensoria Pública do Estado da Bahia, com apoio de sua Ouvidoria-Geral, o evento teve o objetivo de sensibilizar lideranças comunitárias para as questões de discriminação e abuso relacionadas à tecnologia e dados.
-
Programa de vigilância do MJ permite a 55 mil agentes seguir “alvos” sem justificativa
Com milhares de usuários civis e militares, sistema Córtex do Ministério da Justiça explodiu desde o governo Bolsonaro. Confira a matéria da Agência Pública sobre o tema com participação de Rafael Zanatta, codiretor da Data.
-
Edital | Programa Malhas Digitais: apoio para projetos de detecção de Spywares no Brasil
A Data Privacy Brasil, em parceria com o InternetLab, anuncia o lançamento do edital Malhas Digitais para financiamento semente de projetos que visam o desenvolvimento de protocolos e soluções voltadas à detecção de spywares no Brasil.
-
Datificação da carne: a imprescindibilidade de dados pessoais para rastreabilidade, monitoramento e responsabilização da cadeia produtiva da carne no Brasil
O relatório tem como objetivo identificar a possibilidade de utilização dos dados pessoais contidos nas bases de dados da Guia de Trânsito Animal (GTA) para fins de proteção do meio ambiente, auxiliando na aplicação do Código Florestal.
-
Guia de Trânsito de Animais auxilia na proteção do meio ambiente
Confira a matéria da Folha de S. Paulo sobre o novo relatório produzido pela Data.
-
Edital | Artistas – Ciclo formativo em direitos digitais
A Data Privacy Brasil torna pública a seleção de artistas da região metropolitana de Salvador/Bahia para participar na atividade “Ciclo formativo em direitos digitais e proteção de dados para lideranças populares”.
-
Edital | Monitoria – Ciclo formativo em direitos digitais
A Data Privacy Brasil torna pública a seleção de bolsistas para apoiar a atividade de monitoria do projeto “Ciclo formativo em direitos digitais e proteção de dados para lideranças populares”, até o dia 16 de setembro de 2024.
-
Data Privacy Brasil e InternetLab protocolam Amicus Curiae no Supremo Tribunal Federal (STF) analisando o uso de ferramentas de monitoramento secreto
A Data Privacy Brasil e a InternetLab, com o apoio do escritório Mudrovitsch Advogados, protocolaram nesta semana a amicus curiae referente à Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1143, proposta pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que aborda a regulamentação do uso de ferramentas de hacking governamental, monitoramento através de spywares em aparelhos de comunicação pessoal por órgãos e agentes públicos.
-
Data Privacy Brasil publica nota sobre a Portaria 648/2024 – Diretrizes sobre o uso de câmeras corporais pelos órgãos de segurança pública
As diretrizes estabelecidas pela Portaria nº 648/2024 são fundamentais para promover a transparência e integridade no uso de câmeras corporais pelos órgãos de segurança pública e reafirmam a importância da participação social.
-
Data Privacy Brasil, com apoio do Instituto Lafer, promove primeiro Encontro sobre Câmeras Corporais
O 1º Encontro de Discussão Câmeras Corporais: Parâmetros para o uso , teve como objetivo a capacitação e debate técnico para promoção do uso de tecnologias por órgãos de segurança pública, orientados pela qualidade, eficiência e o devido processo.
-
Data Privacy Brasil participa de audiência no Supremo Tribunal Federal (STF) que discutiu o uso de ferramentas de monitoramento secreto
A Data Privacy Brasil, esteve presente na segunda-feira (10) na audiência pública no Supremo Tribunal Federal sobre a regulamentação de softwares espiões, sendo representada por Pedro Saliba, coordenador da área de Assimetrias e Poder.
-
Entidades mostram preocupação com aumento na contratação de softwares espiões
A Data Privacy Brasil, esteve presente na segunda-feira (10) na audiência pública no Supremo Tribunal Federal sobre a regulamentação de softwares espiões, sendo representada por Pedro Saliba, coordenador da área de Assimetrias e Poder.
-
Transparent monitoring for sustainability through DPIs
In this new publication, researchers Gabriela Vergili, Pedro Saliba from Data Privacy Brasil, Vinay Narayan and Soujanya Sridharan from Aapti Institute, discuss the “Transparent monitoring for sustainability through DPIs”.
-
Data Privacy Brasil adere a movimento sobre informação ambiental
A Data Privacy Brasil comunica a adesão ao Movimento Escazú Brasil. O Movimento é formado por organizações da sociedade civil, redes, coalizões, movimentos sociais e cidadãos e cidadãs que atuam para promover o Acordo de Escazú no Brasil e a participação qualificada da sociedade civil brasileira nas Conferências das Partes (COPs) e outras atividades relacionadas ao acordo.
-
Rio de Janeiro regulamenta reconhecimento fotográfico de pessoas em investigações criminais
Lei nº 10.141/2023 é fruto do trabalho de diversas organizações que lutavam contra a prisão de inocentes baseadas unicamente em fotos e vídeos.
-
Data Privacy Brasil fará parte de Grupo de Trabalho Global para Combater o Autoritarismo Digital
O instituto reuniu um grupo de trabalho de especialistas com experiência no domínio dos direitos humanos e da tecnologia para consultas sobre tendências globais emergentes nas relações com o autoritarismo digital e para ajudar a aconselhar o financiamento e a estratégia operacional do GDAA.
-
Câmeras Corporais: Nota técnica, audiência pública e a contribuição da Data Privacy Brasil
No dia 1º de setembro de 2023, a Data Privacy Brasil esteve presente com fala de Pedro Saliba, coordenador da área de Assimetrias e Poder na audiência pública nº 01/2023 - CNM/CGMTEC/DSUSP/SENASP/MJSP, referente ao projeto de norma técnica sobre câmeras corporais sendo desenvolvida pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.
-
Tecnoautoritarismo e o controle das atividades de inteligência: por que a CCAI não está analisando mais casos?
Falta transparência na Comissão Mista de Controle de Atividades de Inteligência, órgão legislativo de fiscalização e controle externo das atividades de inteligência e contrainteligência no Brasil, que deixou de analisar casos importantes entre 2020 e 2021.
-
Associação Data Privacy Brasil de Pesquisa oficia Ministério Público Federal sobre uso do software FirstMile pela Inteligência
A utilização do sistema FirstMile, capaz de rastrear pessoas a partir de seus celulares pela Abin, viola direitos fundamentais como a proteção de dados e escancara o tecnoautorismo.
-
Nota pública da Data Privacy Brasil sobre os atos antidemocráticos de 08 de janeiro de 2023
A Associação Data Privacy Brasil de Pesquisa e o Data Privacy Brasil Ensino vêm a público manifestar sua preocupação e repúdio aos atos antidemocráticos ocorridos no Palácio do Planalto, Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal na tarde de domingo, 08 de janeiro de 2023. Confira a nota na íntegra.
-
Associação Data Privacy Brasil de Pesquisa entra com representação no Ministério Público Eleitoral contra a campanha do presidente Jair Bolsonaro por ilícito de dados
Documento apresentado pela organização expõe denúncia envolvendo o compartilhamento ilegal de dados pessoais do Cadastro Único
-
First of a workshop series about technical forums talks about standards at the IEEE
Event organized by Associação Data Privacy Brasil de Pesquisa addressed the debate on organized policies and/or technical standards that impact the future of dataification and democracy.
-
Data Privacy promove denúncia na Procuradoria Regional Eleitoral por usos ilícitos de dados pessoais em São Paulo
Representação legal ocorre em razão da possível utilização de base de dados de maneira ilegal no contexto de propaganda eleitoral
-
Falta de transparência e liberdade de imprensa e uso indevido de tecnologias traçam panorama do espaço cívico brasileiro em avaliação da OCDE
Relatório lançado em junho deste ano avalia as práticas e políticas do governo federal na última década e identifica ameaças ao espaço cívico.
-
Tecnoautoritarismo é discutido na Law and Society Association
7th Global Meeting on Law & Society ocorreu de maneira hibrida e buscou debater e reimaginar estruturas sociais, legais e políticas que perpetuam assimetrias na sociedade
-
Fórum da Sociedade Civil da Rede Ibero-Americana de Proteção de Dados promove webinar sobre proteção de dados e concorrência
Evento buscou debater os impactos causados pela mudança da politica de privacidade do WhatsApp
-
MPF acata pedido da sociedade civil sobre irregularidades do Poder Executivo Federal acerca de tecnologias de segurança pública
A utilização de tecnologias pelo Governo Federal sem qualquer controle representa uma ameaça a direitos e liberdades fundamentais dos cidadãos.
-
Construindo caminhos para a justiça de dados no Brasil: o papel das Defensorias Públicas na proteção de dados pessoais
Resultado do projeto “Expandindo o papel das Defensorias Públicas na proteção de dados no Brasil” e-book busca evidenciar as desigualdades estruturais deste país como desafios para a proteção de dados pessoais e para o acesso à justiça, e o papel das Defensorias Públicas na concretização de direitos.
-
O que sabemos sobre a Harpia Tech?
As informações abaixo são parte de um dossiê coletivo do projeto “Defendendo o Brasil do Tecnoautoritarismo”
-
Data Privacy Brasil apresenta plataforma Dados Virais em conferência internacional
Evento realizado na Holanda buscou debater o vigilantismo digital e social no contexto pós-pandêmico
-
Abraji e Associação Data Privacy Brasil de Pesquisa lançam documento sobre a não aplicação da LGPD ao jornalismo
Texto ressalta a importância da lei na garantia do acesso à informação, liberdade de expressão e da livre atividade jornalística como um dos pilares do Estado Democrático de Direito
-
Data Privacy Brasil participa do Fórum Social Mundial
Evento buscou colocar em colaboração organizações e movimentos sociais que se contrapõem à globalização neoliberal e estão construindo alternativas para favorecer as lutas democráticas e humanistas
-
Reconhecimento fotográfico e proteção de dados pessoais nas delegacias
Método utilizado de maneira habitual nas delegacias brasileiras para identificação de supostos criminosos é uma violação constitucional com evidente viés racial
-
Associação Data Privacy Brasil de Pesquisa e TEDIC lançam relatório sobre vigilância na tríplice fronteira
Pesquisa buscou investigar o funcionamento do Centro Integrado de Operações na Fronteira (CIOF) e suas infraestruturas de guarda de dados
-
Conectas e Data Privacy Brasil lançam a 31° edição da Revista Sur
Publicação proporciona debates a respeito dos impactos da pandemia sobre os direitos coletivos e liberdades individuais no Sul Global
-
Data Privacy Brasil participa do encontro Privacy Camp 2022
Evento reúne ativistas de proteção de dados pessoais para discussão sobre marginalização de direitos
-
Transparência sob ataque
Texto publicado na Folha de São Paulo sobre o uso da LGPD como escudo contrário à transparência de informações públicas.
-
Uma questão de justeza procedimental: regulamentação do reconhecimento fotográfico e ciclo de vida dos dados
Ensaio sobre o ciclo de vida dos dados na procedimentalização do reconhecimento fotográfico.
-
Tudo o que você precisa saber sobre as tecnologias de rastreamento utilizadas no combate à COVID-19
Contribuição especial de Luiza Pollo para Associação Data Privacy Brasil de Pesquisa Ainda sem uma vacina ou um medicamento que comprovadamente ajude a combater a Covid-19, o distanciamento social é a maneira defendida por especialistas para conter a disseminação do novo coronavírus. Considerando que quase quatro bilhões de pessoas no mundo têm um smartphone e […]
-
Banimento, moratória, regulação: os movimentos em torno do reconhecimento facial
No artigo intitulado Regulating AI and Machine Learning: Setting the Regulatory Agenda, Julia Black e Andrew Murray afirmam que a forma como a sociedade recebe e absorve o potencial de novas tecnologias é largamente determinada pelos modelos regulatórios e de governança que são aplicados a elas. Dentre as tecnologias que atualmente estão no epicentro do debate regulatório, destacam-se as de […]
DataPrivacyBr Research | Conteúdo sob licenciamento CC BY-SA 4.0