Entre 14 e 18 de setembro de 2026, a Data Privacy Brasil realizou a segunda edição da Escola de Governança de Dados (EGD), na sede do Jusbrasil, em São Paulo-SP. Em 33 horas distribuídas em cinco dias presenciais, a formação combinou aulas expositivas, estudos de caso, simulações e atividades práticas. O relatório da edição já está disponível.

A segunda turma partiu da ideia de ecossistema informacional justo. Proteção de dados, inteligência artificial, proteção de crianças e adolescentes, interoperabilidade e governança dos fluxos informacionais foram tratados como dimensões conectadas de uma mesma transformação regulatória, institucional e tecnológica. Nessa perspectiva, governar não significa determinar para onde as transformações devem caminhar, mas criar condições para que determinados parâmetros permaneçam presentes, seja qual for o caminho da inovação.

A turma reuniu 28 participantes: 57,1% do setor privado, 32,1% do setor público e 10,7% do terceiro setor, vindos de 11 unidades federativas e das cinco regiões do país. Um edital de bolsas custeou integralmente a participação de alunos da sociedade civil, e 17 participantes já eram ex-alunos da Data.

2ª Turma da Escola de Governança de Dados
2ª Turma da Escola de Governança de Dados

 

Dia 1: Governança e proteção de dados. Flávio Lopes (MGI) abriu a semana mostrando que decisões sobre dados não cabem apenas às áreas técnicas. A turma decidiu como tratar a base de clientes de duas empresas em processo de aquisição. À tarde, Rafael Zanatta apresentou o ecossistema informacional justo e quatro intersecções da LGPD: com o ECA Digital, os mercados digitais, o Marco Civil da Internet e a prevenção a fraudes.

Flávio Lopes e Rafael Zanatta, professores do primeiro dia de EGD

 

Dia 2: ECA Digital e credenciais verificáveis. Ricardo Horta (Ministério da Justiça e Segurança Pública) apresentou o ECA Digital como a primeira grande lei digital desde o Marco Civil, com foco em prevenção e proteção desde a concepção dos serviços. À tarde, Fred Guth (Dataprev), Emanuella Halfeld (Instituto Alana) e Rafael Zanatta discutiram aferição de idade e credenciais verificáveis. A turma analisou os riscos de um mecanismo de aferição relativamente perfeito.

Ricardo Horta em aula durante a manhã do 2º dia de EGD

 

Emanuella Halfeld, Fred Guth e Rafael Zanatta conduziram uma discussão multidisciplinar sobre mecanismos de aferição de idade e credenciais verificáveis

 

Dia 3: Governança de inteligência artificial. Bruno Bioni traçou o panorama da governança de IA no Brasil, do PL 2338 às iniciativas setoriais, e a turma estruturou medidas para um caso em que a fiscalização já havia começado. À tarde, Juliana Ruiz (Jusbrasil) apresentou conceitos e papéis, e Raíssa Moura (Nubank) detalhou controles técnicos, supervisão humana e contratação de IA de terceiros, aplicados a uma contratação hipotética.

Alunos acompanham a aula de Bruno Bioni
Raíssa Moura e Juliana Ruiz conduziram as atividades do turno vespertino do dia 03

 

Dia 4: Fluxos informacionais e interoperabilidade. Lucas Anjos (ANPD) defendeu que o objeto da governança é o fluxo informacional, e não o dado isolado, e apresentou cinco pré-condições para a interoperabilidade. Em quatro casos concretos, a turma testou a adequação de fluxos de dados. À tarde, Yasodara Córdova explorou as oportunidades da interoperabilidade em identidade digital, prevenção a fraudes, open finance e IA.

Lucas Anjos compartilhou melhores práticas para o fluxo informacional: entre LGPD, ECA Digital e IA
Yasódara Cordova aprofundou a discussão sobre interoperabilidade de dados e inovação (e teve bolo de aniversário!)

 

Dia 5: Atividade final. Coordenada por Louise Karczeski e Pedro Henrique Santos, pesquisadores da Data, a atividade tomou como base o Sistema Integrado de Prevenção a Fraudes Digitais (SIPF), um caso fictício. Em cinco grupos, os participantes assumiram o papel de um órgão público coordenador, de uma associação do setor

 financeiro, da ANPD, de uma organização da sociedade civil e de uma associação de birôs de crédito. Identificaram riscos, negociaram arquitetura, parâmetros e responsabilidades e responderam a um cenário de crise seis meses após o início do piloto.

Uma das atividades práticas realizadas

 

Para uma participante, a edição foi “uma imersão nos temas essenciais”, com “conteúdo denso, elaborado e ministrado com excelência”. As avaliações também indicaram caminhos para as próximas edições: maior nivelamento e tradução de termos técnicos, melhor gestão do tempo das atividades e mais espaço para debate.

O relatório completo detalha a composição da turma, a dinâmica de cada dia e a análise dos depoimentos. Para ler o documento, acesse aqui. Se você quer participar da próxima turma, entre na lista de espera.

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