A Data Privacy Brasil tem um forte histórico de participação em processos internacionais, incluindo os do sistema ONU, a Organização das Nações Unidas. Agora em 2026, passa a integrar esse sistema de forma oficial: somos uma organização com status consultivo do ECOSOC. 

Trata-se do Conselho Econômico e Social (ECOSOC), criado junto à Carta das Nações Unidas de 1945, que cria mecanismos de participação e consulta junto a entidades da sociedade civil. Ainda que a ONU tenha atuado para aumentar a participação dessas entidades de modo geral, o ECOSOC continua sendo o único mecanismo oficial de entrada para uma participação junto a processos de comissões importantes. 

Dentre as muitas comissões e espaços desse Conselho na ONU, encontra-se a Comissão de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento (CSTD), onde atualmente está alocado um grupo de trabalho específico para o tema de Governança de Dados, onde a Data Privacy Brasil já atua como observador. A Comissão sobre o Status da Mulher, a Comissão de Desenvolvimento Sustentável, e a Comissão de Desenvolvimento Social são outros exemplos de comissões técnicas. Além destas, existem também as comissões regionais, como a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL).

O status consultivo permite às ONGs um acesso e credenciamento facilitados para eventos e reuniões do sistema ONU; oportunidades de fala e apresentação de diagnósticos e recomendações em áreas específicas; e trabalhar junto a uma rede de organizações para monitoramento e alerta em questões relevantes internacionalmente, como na área de Direitos Humanos. O Conselho de Direitos Humanos, inclusive, é um dos órgãos de maior destaque que permitem a participação de ONGs com o status consultivo, ainda que não seja subsidiário do ECOSOC. Cabe a ele examinar violações; promover o respeito aos Direitos Humanos; e coordená-los no sistema das Nações Unidas.

Em um contexto de grandes desafios para o multilateralismo e o próprio sistema ONU, é crucial que a participação da sociedade civil seja garantida, a fim de que políticas e práticas dos Estados sejam definidas de modo plural e participativo, com a legitimidade e autoridade política que apenas o sistema ONU possui no nível global. Embora muitas das pautas transnacionais busquem soluções “soberanas” e individuais, os problemas e as soluções são coletivos, baseados em relações de interdependência entre países e setores. Assim, a ONU persiste como espaço de influência, decisão e autoridade para políticas e práticas de desenvolvimento que possuem efeitos diretos em políticas domésticas e nas relações entre os povos.

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